domingo, 24 de maio de 2009

Manifesto futurista:
1. Cantaremos o amor ao perigo, o hábito da energia e a audácia.
2. Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a intrepidez e a rebeldia.
3. A literatura até aqui tem glorificado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono; exaltaremos o movimento agressivo, a insônia febril, o passo acelerado, a cambalhota, o soco no ouvido, o murro.
4. Declaramos que o esplendor do mundo foi enriquecido por uma beleza nova, a beleza da velocidade. Um automóvel que passa apressado, com o chassi adornado por grandes canos, com cobras com um resfolegar explosivo... Um automóvel roncando, que parece correr sobre o shrapnel é mais belo do que a Vitória de Samotrácia.
5. Cantaremos o homem ao volante, cujo eixo ideal atravessa a Terra, correndo no circuito da órbita desta.
6. O poeta deve entregar-se com frenesi, com esplendor e prodigalidade a fim de aumentar o fervor entusiasta dos elementos primordiais.
7. Não há beleza senão na luta. Nenhuma obra-prima sem agressividade. A poesia tem de ser uma arremetida violenta contra as forças desconhecidas, para obrigá-las e inclinar-se perante o homem.
8. Achamo-nos no promontório extremo dos séculos!... Por que devemos olhar para trás, quando temos de romper os portais misteriosos do Impossível? Tempo e Espaço morreram ontem. Já vivemos no absoluto, pois já criamos a velocidade, eterna e onipresente.
9. Queremos glorificar a guerra - o único doador de saúde ao mundo - militarismo, patriotismo, o braço destruidor do Anarquista, as belas Idéias que matam, o desprezo pela mulher.
10. Desejamos destruir os museus, as bibliotecas, lutar contra o moralismo, o feminismo e toda a mesquinhez oportunista e utilitarista.
11. Cantaremos as grandes multidões no entusiasmo do trabalho, do prazer e da rebelião; da multicor e polifônica arrebentação das revoluções nas modernas capitais; a vibração noturna dos arsenais e oficinas sob suas violentas luas elétricas; as estações vorazes engolindo serpentes fumegantes; as pontes saltando como ginastas por cima da diabólica cutelaria de rios banhados pelo sol; de aventurosos navios farejando o horizonte; de locomotivas de tórax amplo saltitando nos trilhos, quais imensos cavalos de aço freados por compridos tubos; e do vôo planado dos aviões, dos quais o som do parafuso é como o adejar de bandeiras e o aplauso de uma turba entusiasta.
Filippo Marinetti

Como se pode observar, o líder do Futurismo era fascista, e ele próprio propõe a reforma para a literatura, com a destruição da sintaxe, com os substantivos dispostos ao acaso, com o emprego do verbo no infinitivo, a abolição do adjetivo, para que o substantivo guarde sua cor essencial, com a supressão dos elementos de comparação, do “eu”, substituído pela “obsessão lírica da matéria”, com a abolição de todas as metáforas descoloridas, dos clichês, etc.

Fonte:Wikipedia
MARIANA

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